quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O ser humano e sua necessidade de gerar conflitos

Antes de abordar o assunto direto dentro do tema proposto neste blog, penso que seria deveras proveitoso antes de tudo apresentar ao leitor algumas das características fundamentais do ser humano como um todo, afim de que a partir dessa apresentação prévia a minha hipótese seja apresentada e por meio desta proporcionar uma melhor compreensão acerca do tema relacionado a homoafetividade na cidade.
Podemos partir do princípio que o ser humano é um ser que vive de conflitos, que busca por meio de convergências de ideias e opiniões uma forma clara para tentar moldar a sociedade ao seu redor através de seus ideais. É importante destacar que uma das características fundamentais do ser humano é a sua incrível capacidade de gerar conflitos por qualquer motivo seja ele qual for, realmente algo muito impressionante, pois aprendemos que o ser humano é um ser sociável, mas como a sociedade é vista pelo ser humano? Será que todo ser humano vive na mesma sociedade ou grupos distintos moldam sua “sociedade”? Essa é mais uma das características fundamentais do ser humano, sua incrível capacidade para não conseguir conviver em harmonia com outros seres humanos. É partir desse conceito prévio que posso começar a explicar as relações entre essas características fundamentais do ser humano com a homoafetividade na cidade.
Voltando um pouco no tempo, em uma época aonde o racismo predominava mais do que hoje em dia, pessoas de cor negra, índios e imigrantes eram tratados de forma abusiva, eram descriminadas e tratadas  muitas das vezes como animais, única e exclusivamente por possuírem características diferentes da maioria que era predominante na sociedade da época, porém observe que ambas as pessoas são seres humanos, de mesma raça, que sofrem das mesmas doenças, que necessitam dos mesmos remédios cujas quais estão destinadas a nascer e morrer independentemente da cor da pele, crença ou de qualquer outro fator. Após anos e mais anos de conflitos as pessoas que antes sofriam pela pratica do racismo começaram a ganhar espaço em uma sociedade que ainda não os aceitava. Vemos que as duas características fundamentais do ser humano que abordei anteriormente estão explicitamente ligadas ao conflito entre as relações entre as pessoas que diferem da cor da pele, crença nacionalidade ou qualquer outro fator. Percebemos que, após mais alguns anos o ser humano aprendeu que a pratica do racismo é algo inaceitável, aprendeu que o que era feito antes era abominável, e que não havia motivos para a pratica do racismo, pois todos necessitavam de direitos iguais, já que todos são seres humanos, embora isso tenha sido aprendido, o racismo ainda continua sendo praticado. Você deve se perguntar, por que mesmo sabendo que algo é errado continuam a pratica-lo? É simples, pois outra característica fundamental do ser humano é ser capaz de produzir proibições, regras e normas, mas também de quebra-las, realizando atos imorais indo contra a moral, segundo o antropólogo francês Levi-Strauss, a passagem do reino animal ao reino humano, ou seja, a passagem da natureza à cultura, é produzida pela instauração da lei, por meio de certas proibições. É assim que se estabelecem as relações de parentesco e de aliança sobre as quais é construído o mundo humano, que é simbólico. O comportamento moral varia de acordo com o tempo e o lugar, conforme as exigências das condições nas quais os homens se organizam ao estabelecerem as formas efetivas e práticas de trabalho. Cada vez que as relações de produção são alteradas, sobrevêm modificações nas exigências das normas de comportamento coletivo.
O tempo passou e o ser humano encontrou outro motivo para gerar conflitos, como sempre utilizando de suas características fundamentais, o ser humano agora passa a discriminar pessoas que escolheram uma opção sexual diferente da maioria de uma sociedade pré-estabelecida. Utilizando de argumentos em sua maioria religiosos e sociais, um novo tipo de racismo agora direcionado é criado, chamamos ele de homofobia.  A homofobia cresce e se espalha como uma epidemia assim como no caso anterior de racismo a qualquer indivíduo que difere de cor, crença ou nacionalidade. Perceba que por terem feito uma escolha que difere da maioria de uma sociedade essas pessoas agora passam a ser excluídas da mesma, sofrendo diversos tipos de ataques sejam eles verbais, psicológicos ou físicos, e mais uma vez lutam pelos direitos iguais, iguais a todos os seres humanos. A homoafetividade indica a presença de um vínculo amoroso, onde duas vidas se entrelaçam para participar de um convívio familiar. Neste convívio acontecerão obrigações, deveres e comprometimento que são a base da família e pretende ser reconhecida como tal, logo se as obrigações e deveres devem ser iguais por que ainda relutam em aceitar que um casal homossexual adote uma criança, com a única desculpa de que a criança será “influenciada”, esse tipo de pensamento em minha modesta opinião e de fato retardado, não a como forçar a pessoa a ser algo, ela já nasce sendo a pessoa que ela é, Os homossexuais ainda lutam contra a discriminação e o preconceito em vários lugares no mundo, desejam o reconhecimento de seus direitos através de lei, ter o direito de casar e poder realizar todos os atos e direitos de uma sociedade natural. Penso que daqui a mais alguns anos talvez o ser humano entenda que continuar praticando a homofobia é algo errado, que percebam da mesma forma que perceberam antes, que trata-se de seres humanos iguais, de mesma raça e apenas escolhas diferentes, mas todos seres humanos. Porém não deixo de pensar no futuro, qual será o novo conflito que o ser humano vai provocar, para suprir as suas características fundamentais? Será que no futuro os conflitos sejam voltados para outros tipos de pessoas com características diferentes e incomuns a sociedade da época, formando assim mais uma geração de novos conflitos sem razão? Creio que sim, pois é muito difícil mudar a natureza humana, ficaria deveras contente se todos os esforços voltados para esses tipos de conflitos sociais fossem direcionados a algo realmente bom e construtivo, que proporcionasse algo de bom para todos, acho difícil, mas não impossível.

Contem abaixo uma tirinha do Cyanide and Happiness que de forma lúdica resume bem o que abordei nesse post. 










Um comentário:

  1. Boa noite,
    Primeiramente quero parabenizar pelo blog, as temáticas relacionadas aos preconceitos e com o intuito de repensá-los são sempre bem vindas. Sabemos que não basta a disponibilidade de informações para que as pessoas abram suas mentes, sempre haverá muitos ignorantes. Todos devem ter direito de se relacionar com quem quer e não com quem a sociedade acha, afinal, acredito que haja muitos casais homoafetivos bem mais interessados em realmente constituir uma família, do que muitos héteros. Hoje em dia muitas pessoas reclamam de como as coisas eram antigamente (e por vezes até mesmo hoje), em que o pai escolhia com quem a filha deveria casar, mas de que adianta reclamar de uma determinada época, se essas mesmas pessoas são capazes de reproduzir ideologias semelhantes, achando que possuem o direito de elevar suas vozes contra a união de pessoas que nem mesmo conhecem...

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