Adoção por Homossexuais
Seria
correto falar que a adoção por homossexuais envolve sentimentos, valores
éticos, valores religiosos, políticos, sociais, etc.?
A
adoção homoafetiva é um
assunto que precisa ser analisado com muito
respeito e sem discriminação ao próximo. As diferenças não podem ser motivo
relevante para decidir algo tão importante como a adoção.
Ao
longo dos últimos anos, a sociedade vem sofrendo inúmeras e rápidas
transformações que não podem ser ignoradas. Uma delas é justamente a adoções
por casais homossexuais.
A
adoção constitui um parentesco eletivo, pois decorre exclusivamente de um ato
de vontade. A verdadeira paternidade funda-se no desejo de amar e ser amado.
A
adoção por pessoas do mesmo sexo gera controvérsias. Para muitos essa questão
não deveria nem ser discutida, afinal, como deve ficar o psicológico da criança
quando perceber que ela não é como os outros amiguinhos? O que diria para eles?
Imagine uma criança no começo de ano na escola: cada aluno se apresenta e
mostra as fotos da família. Pode ser que a menina da primeira carteira seja
filha de um engenheiro e uma arquiteta
e o pai do menino de cabelos vermelhos chefie a cozinha de um restaurante. Como
ficaria a criança na hora de contar aos coleguinhas que não mora com a mãe e
tem dois pais ou duas mães gays? Que confuso, não? Imagina quantas discriminações a
criança iria passar.
Outra
preocupação é
que os mesmos influenciariam a orientação sexual da criança e adolescente,
existindo uma tendência dos menores optarem pela homossexualidade. Mas há aqueles que pensam
de outra maneira. Acham normal. Embora exista um temor de futuras reações comportamentais
e transtornos psicológicos para a criança. Mas tal temor não pode por si só ser
motivo para ir contra algo tão grandioso e solidário como a adoção. O importante é que a criança
tenha uma família substituta, um lar, não importa a sexualidade, é muito melhor para uma criança que vive na rua, em abandono ou sob maus tratos ter uma
família a continuar vivendo em condições precárias.
O que
deve contar na hora da adoção, é que a criança se sinta amada e acolhida, ao invés de não ter nenhuma
expectativa de vida futura, até porque uma sociedade é constituída através de ações e
cada um tem o direito de fazer suas escolhas.
Se em uma união entre
duas pessoas, os parceiros, ainda que do mesmo sexo, tiverem um lar duradouro,
onde cumpram com os deveres de fidelidade e assistência recíproca e convivam num ambiente digno e tranquilo,
não se pode negar uma real vantagem para o adotando.
O preconceito sem
dúvida, na maioria das vezes não nos permite olhar as necessidades de quem não
possui família, uma lar, ele nos toma de uma forma, que passamos a olhar
somente o fato de que aquele casal que quer adotar a criança é homossexual e
esquecemos de olhar para o mais
importante, que seria o fato da criança ter direito à
vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização,
a cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de
colocá-los a salvo de toda
forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e
opressão”.
É preciso pensar no futuro do adotando,
pensar no carinho que ele irá receber das pessoas que o desejam e lembrar que o
amor, poderá fazer dessa criança um ser humano melhor.
A discriminação é algo
que preocupa muito quem é
adepto dessa idéia. Pois é minuciosamente analisado o que essa criança
sofreria, seja na escola, na rua, onde fosse. O fato de seus pais serem
diferentes daquilo que a nossa sociedade considerada como normal humilharia essa criança, poderia
traumatizá-la deixando graves consequências para sua vida adulta. Pois a criança não tem o discernimento para
entender porque só os pais dela são diferentes e com isso, a tendência seria
ela se fechar, prejudicando não só seu desenvolvimento escolar quanto sua relação
com o mundo.
Cabe a todos nós
analisarmos os pontos positivos e negativos para depois
nos posicionarmos. Mas tal posição deve ser decidida sem
preconceitos e julgamentos pré-elaborados. Antes de tudo devemos considerar
algo muito mais valioso e que está em jogo, que é a vida de uma
criança.
Há uma busca
frenética do ser feliz. O ser humano necessita de carinho e de amor para viver.
Então que possamos desejar felicidade aos menos favorecidos, àquelas
pessoas que não podem ter filhos com seus parceiros e que mesmo assim, sentem
vontade e tem condições financeiras para criar e educar uma criança.
A adoção é muito
mais que um ato de amor, é doação, é
dedicação.
Dúvidas, incertezas, questionamentos, sempre
existirão, até porque o certo é aquilo que a gente acredita ser o correto, mas
temos que sermos melhores cidadãos, se necessário passar por cima dos nossos
próprios preconceitos, convicções, em prol de ajudarmos ao próximo, concordando
ou não com as escolhas sexuais de cada um.


