Já dizia a famosa escritora e feminista, Simone
de Beauvoir, que nenhum de nós nasce homem ou mulher e sim do sexo masculino ou
feminino, isso sim é definido desde a nossa formação, tornamo-nos homem ou
mulher no decorrer de nossa vida, com nossas experiências e escolhas, a
exatamente 64 anos, a famosa escritora já criava polemica e afirmava: “As mudanças pelas
quais luto, não se realizarão durante minha vida, talvez daqui a quatro
gerações.”
Ha tempos atrás ela já previa o que iria acontecer, realmente naquela época era
um escândalo, hoje já temos uma sociedade menos reprimida, que luta por seus
direitos e vontades, que não tem medo de assumir suas escolhas e enfrentar a discriminação,
que ainda é muito comum vermos. Aliás,
sociedade essa que segundo Émile Durkheim, segue um padrão muito comum em
comportamento, o Fato Social. Durkheim é
considerado um dos pais da Sociologia, e numa época em que ninguém observava comportamentos, ele já
julgava e classificava nossas atitudes, o criador do “Fato Social” não só
acreditava que nós éramos um grupo bastante influenciado, mas que seguíamos um
padrão imposto.
Émile separou o “Fato Social” em três pontos,
o primeiro deles e o mais interessante é
a “Coercitividade”, que
basicamente é: Você pode dizer não a qualquer coisa, mas você sempre enfrentará
as consequências por isso, o que já explica basicamente o que vemos hoje na
sociedade, não só com relação a união homoafetiva, mas com qualquer pessoa que
saia do “padrão”, ou seja, as pessoas já começam a te olhar torto.
O segundo ponto é a “Generalidade” , que diz que você tem que fazer as coisas
porque uma certa massa te induz a fazer. Você é livre para fazer o que quiser,
mas chega um momento que alguns fatores te induzem a estudar química, por
exemplo, só porque cai no vestibular, não importa se você vai ser um sociólogo ou
um matemático, você tem que estudar química, é basicamente isso que acontece.
Já a terceira parte é a “Exterioridade ao
Individuo” que basicamente diz que você é você mesmo, e não se confunde com
outras pessoas, sua individualidade é única e independe do fato social, ou
seja, o fato social esta ai, presente na sociedade, independente de quem você
seja, de qual seja sua personalidade, você pode se adaptar ou não a isso, mas o
“Fato Social” esta ai e isso não mudará.
Se observarmos bem, podemos ver que é isso
que acontece o tempo todo e a homoafetividade está diretamente ligada a isso,
uma vez que os gays sofrem discriminação por terem uma personalidade diferente,
na visão errônea das pessoas, e por dizerem não ao padrão imposto eles pagam
esse preço, é vergonhoso ver que as pessoas agem assim, induzidas por uma massa
que te molda à medida que você cresce, e quando menos observa está agindo como
eles.
Os homossexuais não são os únicos a sofrerem
com isso, temos muitos grupos que sofrem a cada dia mais, mesmo estando em
outra época, uma era de inovações de conhecimento, um momento em que deveríamos
estar mais respeitosos com o outro, respeitando o que cada um faz, uma vez que
suas opções não o fazem uma pessoa ruim, só por ser diferente, aliás, o Brasil
é o país das diferenças, é onde tudo se mistura, e acho que temos que lutar
sim, contra a falta de respeito ao próximo, contra a intolerância e ignorância dessa
massa que não tem vontade própria, só segue algo que lhes é influenciado, sem
ao menos adquirir o conhecimento de fato.

“Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”